MARROCOS | ON THE ROAD

Apesar de uma viagem ao estilo motard significar muitos quilómetros em cima da mota e poucos no chão, não sendo certamente o tipo de viagem que mais possibilitará um contacto próximo com as populações e seus costumes, ela permite-nos, por outro lado, uma observação distanciada e muitas horas de introspecção e reflexão, assim como um deleite com as cores das paisagens, as etnias e as vestes, as casas e os campos.

De Portugal a Tarifa, onde já se avista África quase tão próximo como Almada, e posteriormente de Tarifa a Tânger, em pouco mais de meia hora de barco se chega a África, se chega a Marrocos.

De mota vamos percorrendo as estradas, que insistem em cruzar as cidades. Ao lado, transeuntes, bicicletas, mercados, montanhas e desertos. Com um grande número de turistas, Marrocos tem boas estradas e paisagens admiráveis. Desde as montanhas do Atlas às do Rife, até às cores do Saara em contraste com o oásis de Erfoud, pode desfrutar-se de belezas incríveis já bastante conhecidas entre o meio turístico. Algumas cidades estão tomadas por este público e correspondente comércio para ele direccionado, facto que não parece reverter-se para as comunidades locais, que permanecem pobres, com necessidades básicas por suprir, nomeadamente médicas e alimentares. Um quarto por noite num dos aclamados rhiads pode facilmente custar um salário mínimo do país.

Nos mercados vende-se de tudo, e as medinas, como a de Fez, deixam perceber como na cidade velha se vive do comércio. Ovos, pão, tapetes, bijuteria, carne e especiarias, em meio a muitos restaurantes e barbeiros. Os burros, ainda o principal meio de transporte, carregam as mercadorias pelas ruas estreitas.

No deserto, as tonalidades mudam. As casas pintadas com tinta de terra confundem-se com a paisagem, os tuaregues fixam-se na beira das estradas, os olhos mudam de cor, e o oásis aparece.

As matrículas europeias são uma constante por aqui, jipes, caravanas e motos. As crianças acorrem ao som da moto. Pedem dirahns e umas aceleradelas para ouvir o som dos motores. Entre os clientes dos restaurantes não se encontram locais. Por outro lado, o Rei Maomé VI faz-se sempre presente. Sendo Marrocos uma monarquia, a figura suprema do Rei faz-se obrigatória em qualquer estabelecimento comercial, estando sempre representada através de uma fotografia ou de uma pintura da entidade.

Marrocos é um lugar curioso. As mulheres com as suas vestes coloridas, tecidos que esvoaçam. Os cantos escondidos das ruas estreitas, por onde alguém se perde de vista na penumbra dos tapetes pendurados. O calor que instala suas sombras, e explicita os seus contrastes.

Apesar das diferenças culturais, a História permite alguns paralelismos para perceber influências mútuas. Por isso, Marrocos é não só uma introdução ao mundo muçulmano e a África, como à nossa própria História deste lado de cá do Estreito de Gibraltar.

 

© 2017 Joana Bom

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